reflexão

Imediaticidade

Instagram. Facebook. Whatsapp. E de forma geral as mídias sociais. Já nos acostumamos a ter notícias no mesmo momento em que aconteceu. Também a falar com quem desejamos na hora que queremos e, não precisamos mais esperar o serviço de correios para que uma mensagem seja entregue.

Todas as essas coisas nos mostram o quão maravilhosa pode ser a humanidade, se motivadas com a causa certa. Damos um novo significado para declarações em praças e locais públicos equivalendo ao mesmo nível de importância de um texto romântico em pleno no feed para pessoa que ama.

Entretanto, de todos os efeitos que a tecnologia causa, tem um que me deixa muito mais intrigada, o da imediaticidade. Como nos acostumamos com o imediato das coisas, como alguns já nasceram em meio a tudo isso e como isso atrapalha o nosso mental.

A imediaticidade nos torna impacientes e consegue nos envolver em grandes erros. Se almejamos um nível de equilíbrio e saúde mental, não queremos nos tratar de forma contínua. Preferimos pagar para alguém que promete uma suposta cura rápida. Assim é com saúde mental, tanto quanto é com saúde física.

O quão maravilhoso seria se pudêssemos curar traumas, medos, inseguranças e certas amarguras em uma só semana, em uma só palestra, em um só curso. Não estou de forma alguma expressando uma opinião contrária a cursos e palestras, e sim contra a falsa promessa de cura imediata. Todas essas coisas são auxílios e complementos na sua jornada e não a fórmula pronta para o sucesso.

Cada um possui um ritmo, um tempo, uma história com crenças limitantes que podem interferir nessa caminhada. O processo de cura é diferente pra cada um. Faça cursos, palestras, leia livros… Mas não opte somente por esses caminhos, não procure somente a cura. Em conjunto dela, procure também a causa. Para que não tenha falsa sensação de que tudo se resolveu e  volte a “adoecer”.

Opte por olhar para si e reconhecer suas fraquezas, entender seus medos, as causas e onde tudo começou. Todos os dias se entenda e se conheça mais, mais e mais. É um trabalho incessante e longo, sobretudo eficaz. Procure ajuda especializada e continuada, como a terapia.

Ter “para agora” significa pular processos necessários para o crescimento, perde-se o significado e sentido daquele resultado. Na busca pelo equilíbrio e saúde mental, não existe cura rápida. Estamos em crescente aprendizado.

Conhecendo a Escrita Terapêutica.

ilustrar blogOlá, Tudo bem? 

Você já deve ter tido ou conhecido alguém que possuía um diário, um caderno que essa pessoa utilizava para escrever o que aconteceu com ela durante o dia, durante a semana, durante o mês. Escrevia sobre assuntos banais, mas também sobre seus sentimentos e emoções, utilizava como uma espécie de desabafo. 

Essa prática se enquadra dentro da chamada “Escrita Terapêutica”  que consiste na expressão através da palavra escrita. 

Foram feitos diversas pesquisas que comprovam a eficácia dessa prática como ferramenta terapêutica, simples e acessível a todos. 

Quando escrevemos nossos pensamentos, estamos organizando tudo aquilo que antes estava disperso dentro de nossa mente. Conseguimos organizar sentimentos, idéias, planos a medida e ordem que colocamos eles no papel. 

Estudos indicam que reprimir e não expressar sentimentos podem ocasionar impactos negativos à saúde. A escrita como forma de expressão é uma ferramenta terapêutica simples, acessível a todos e eficaz. 

Escrever sobre assuntos pessoais tabus, traumas, medos e etc, gera maior assimilação e compreensão da sua visão, do que realmente aconteceu e que reações isso trouxe a você, permitindo um processo de auto-reflexão. 

A Escrita Terapêutica poderá trazer diversos benefícios para a sua saúde mental, não somente por permitir que organize e reflita sobre maus pensamentos que te atrapalham cotidianamente, mas também pelos bons pensamentos que muitas vezes passam despercebidos quando estamos com nossa mente dispersa e que quando escrevemos percebemos o quão bom aquilo foi, gerando uma espontaneidade de emoções durante a prática, tornando também uma ferramenta de auto-conhecimento. 

Gostou da ideia? Convido você a experimentar a prática hoje mesmo! 

É muito simples, você só precisará de um lugar fixo para escrever os exercícios de escrita terapêutica semanalmente e desabafos sempre que te for necessário. Eu aconselho que seja um caderno pois proporciona uma experiência que te aproxima de si mesmo enquanto escreve e observa sua letra. Mas caso prefira pode ser em qualquer outro lugar como um bloco de notas específico do celular, uma pasta no computador… O importante é que tenha exclusividade e seja particular. 

Bem, definido onde vai escrever, separe um horário do dia qual manterá todos os dias da sua rotina, o ideal seria que escrevesse todos os dias, mas caso não consiga escolha dias da sua semana para realizar. 

Quando for escrever, se desligue das redes sociais e do mundo externo, concentre-se apenas no seu interior, nas suas lembranças importantes do dia ou da semana e nas suas emoções e sentimentos.  Coloque tudo no papel da forma que se sentir bem, se preocupe apenas com o seu entendimento acerca do que está sendo escrito. 

Esse hábito poderá proporcionar insights e auxiliar no seu processo criativo. Faço uso dessa ferramenta desde muito nova e mantenho inserida na minha rotina. 

Aqui no blog estarei postando exercícios de Escrita Terapêutica 3 vezes na semana, às terças, quintas e sábados, para te dar novas idéias caso fique perdido na hora de começar com textos exemplos feito por amigos com a autorização dos mesmos que utilizam a escrita como forma alternativa de terapia. 

Mas lembre-se, não precisa se prender a rotina de escrita que tiver criado, se em algum momento sentir necessidade de desabafar se sinta livre para expressar suas palavras no seu caderno. 

Espero que ponha a ideia em prática, abaixo estão dois artigos científicos interessantíssimos sobre a escrita terapêutica caso queira ler mais a respeito. Até a próxima. 

 

 FIGUEIRAS, Maria João; MARCELINO, Dália; Escrita terapêutica em contexto de saúde: Uma breve revisão, Análise Psicológica (2008), 2 (XXVI): 327-334 

http://www.scielo.mec.pt/pdf/aps/v26n2/v26n2a12.pdf 

 

Bialer, M. (2015, junho). A escrita terapêutica no autismo. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 18(2), 221-233.  

https://www.scielo.br/pdf/rlpf/v18n2/1415-4714-rlpf-18-2-0221.pdf